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Pesquisas brasileiras e Prêmio Nobel de Economia: conexões

          A francesa Esther Duflo, o indiano Abhijit Banerjee e o americano Michael Kremer venceram o Prêmio Nobel de Economia de 2019. O prêmio foi concedido pelo relevante trabalho através de “abordagem experimental para aliviar a pobreza global”. Segundo o comitê do Nobel, suas pesquisas ”melhoraram consideravelmente nossa capacidade de lutar contra a pobreza no mundo. Em duas décadas, a experiência dos premiados transformou a economia do desenvolvimento”.

         Esther Duflo, é professora do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e a segunda mulher a receber o prêmio. Segundo a ONU e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a pobreza atinge mais de 700 milhões de pessoas e as formas de privação não se restringem à renda, mas ao acesso a serviços e direitos, como educação, saúde e saneamento. A academia sueca ressaltou, ainda, que “apesar das melhorias recentes, um dos maiores desafios da humanidade continua sendo a redução da pobreza no mundo, em todas as suas formas”.

          Em TEDtalk realizada em 2010, Dulfo afirma que “ainda não podemos erradicar a pobreza, mas podemos começar pelo que sabemos que é efetivo. (...) Precisamos de pesquisas para avaliar a eficácia das propostas, precisamos disso para guiar políticas públicas”. Dulfo possui graduação pela Escola Normal Superior e pela Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais de Paris e doutorado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, onde trabalha. Ela lidera o Laboratório de Pesquisa Abdul Latif Jameel sobre Alívio à Pobreza, que co-fundou em 2003. O seu trabalho é baseado em experiências de campo em parceria com diversas universidades, tais como a Universidade de Harvard, além de organizações não governamentais.

          Entre os estudos desenvolvidos por Esther Duflo, está o realizado na Índia, em conjunto com Elizabeth Spelke e outros autores, publicado em 2017 na relevante revista científica Science, sob o título  “Cognitive science in the field: A preschool intervention durably enhances intuitive but not formal mathematics”. Este trabalho desencadeou novos projetos de intervenção e pesquisa, como aquele que vem sendo realizado no Brasil pelo Laboratório Interdisciplinar de Neurodesenvolvimento Humano (LINHA), coordenado pelas professoras Nara Andrade (UCSAL) e Chrissie Carvalho (UFSC), em colaboração com a professora Elizabeth Spelke da Universidade de Harvard.

      O projeto “Intervenção para melhorar a prontidão escolar das crianças em situação de vulnerabilidade social no Brasil”, financiado pela fundação Lemmann, está criando, implementando e avaliando um currículo baseado em jogos em centros municipais de educação infantil em Salvador. Este projeto tem foco em populações socialmente vulneráveis e conta com o apoio da Secretaria Municipal de Salvador. Visa reduzir desigualdades, estimulando prontidão escolar, parte essencial do processo de “aprender a aprender”, além de estimular o desenvolvimento de habilidades socioemocionais.

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