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Enfrentamento à pobreza, neuropsicologia e prêmio nobel de economia

Atualizado: Set 28

O projeto de pesquisa e extensão realizado “Intervenção para melhorar a prontidão escolar das crianças em situação de vulnerabilidade social no Brasil” no Brasil pelo Laboratório Interdisciplinar de Neurodesenvolvimento Humano (LINHA) é uma colaboração Laboratory for Developmental Studies da Universidade de Harvard, coordenado pela Professora Elizabeth Spelke. Este trabalho está criando, implementando e avaliando um currículo baseado em jogos em centros municipais de educação infantil. Com foco em populações socialmente vulneráveis, o projeto visa reduzir desigualdades, estimulando prontidão escolar, parte essencial do processo de “aprender a aprender”, além de estimular o desenvolvimento de habilidades socioemocionais.

O projeto é um desdobramento do trabalho conjunto realizado

por Elizabeth Spelke (à direita) e Esther

Duflo, ganhadora do prêmio nobel de economia, realizado na Índia e publicado na revista Science com o título “Cognitive science in the field: A preschool intervention durably enhances intuitive but not formal mathematics”.


A francesa Esther Duflo, o indiano Abhijit Banerjee e o americano Michael Kremer venceram o Prêmio Nobel de Eco­­nomia de 2019. O prêmio foi concedido pelo relevante trabalho através de “abordagem experimental para aliviar a pobreza global”. Segundo o comitê do Nobel, suas pesquisas ”melhoraram consideravelmente nossa capacidade de lutar contra a pobreza no mundo. Em duas décadas, a experiência dos premiados transformou a economia do desenvolvimento”.


Esther Duflo (à esquerda), é professora do Massachusetts Institute of Technology (MIT), sendo a segunda mulher a receber o prêmio. Segundo a ONU e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a pobreza atinge mais de 700 milhões de pessoas e as formas de privação não se restringem a renda, mas ao acesso a serviços e direitos, como educação, saúde e saneamento. A academia sueca ressaltou ainda que “apesar das melhorias recentes, um dos maiores desafios da humanidade continua sendo a redução da pobreza no mundo, em todas as suas formas”. Em TEDtalk realizada em 2010, Dulfo afirma que “não podemos erradicar a pobreza ainda, mas podemos começar pelo que sabemos que é efetivo. (...) Precisamos de pesquisas para avaliar a eficácia das propostas, precisamos disso para guiar políticas públicas”.


Dulfo possui graduação pela Escola Normal Superior e pela Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais de Paris e doutorado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, onde trabalha. Ela lidera o Laboratório de Pesquisa Abdul Latif Jameel sobre Alívio à Pobreza, que ela co-fundou em 2003. O seu trabalho é baseado em experiências de campo em parceria com diversas universidades, tais como a Universidade de Harvard, além de organizações não governamentais.




  • 1) Como surgiu a ideia de implantar o projeto “Intervenção no Brasil para estimular a cognição social e numérica das crianças em situação de vulnerabilidade social”?

O projeto nasceu no ano de 2018, a partir de diálogos entre professores do departamento de Psicologia da Universidade Católica do Salvador, Prof. Dra. Nara Andrade, Prof. Dra. Chrissie Carvalho e a Profa. Dra. Elizabeth Spelke da Universidade de Harvard. Elizabeth Spelke é uma proeminente psicóloga no campo da Psicologia do Desenvolvimento, criadora da teoria do Core Knowledge. A proposta surgiu como desdobramentos dos projetos em neurodesenvolvimento realizados pelo Laboratório Interdisciplinar de Neurodesenvolvimento Humano (LINHA) e de projetos realizados por Spelke e Esther Dulfo, para a redução dos impactos da pobreza sobre o desenvolvimento de crianças em situação de vulnerabilidade social. Após elaborada a proposta foi submetida à Fundação Lemman que acolheu com entusiasmo o projeto e hoje financia o mesmo.

  • 2) Quando começou a implantação?


O projeto teve início em 2018 e contou com intercâmbio de pesquisadores e discentes brasileiro com a Universidade de Harvard. Em maio de 2019, foi realizado o I Seminário Regional NEUROCIÊNCIAS E EDUCAÇÃO: TECENDO REDES PELA PRIMEIRA INFÂNCIA que teve por objetivo promover um espaço propositivo de debate acerca das interfaces entre neurociências e educação e seus impactos para as políticas públicas na primeira infância. O evento contou com a participação de mais de 250 pessoas entre professores da rede municipal de ensino, discentes e pesquisadores do campo. Tratou-se de uma colaboração ativa entre universidades e a Secretaria Municipal de Educação, em uma perspectiva de uma universidade extra-muros que compreende a sua participação na construção de uma sociedade democrática de direitos. Nas escolas, a implantação do projeto está em andamento e teve início no ano de 2019.

  • 3) Este trabalho está sendo executado por quantos profissionais e de quais universidades?


Este projeto conta com a participação de três Universidades, UCSAL, Harvard e Universidade Federal de Santa Catarina. No total 3 professores, 5 técnicos de pesquisa e 20 discentes formam parte da equipe que o implementa nas cidades de Salvador, Boston e Florianópolis.

  • 4) O que é oferecido pelo projeto e quem está sendo beneficiado?


O projeto oferece formação continuada em neurodesenvolvimento para professores da rede municipal de ensino. Intervenção neuropsicológica realizada através de jogos no contexto escolar para favorecer o desenvolvimento de habilidades socioemocionais e matemáticas. Além de intervenções em contextos domiciliares, favorecendo fortalecimento vincular e estimulação neuropsicológica através do brincar na primeira infância.

  • 5) De que forma estão sendo mensurados os resultados?


Trata-se de uma abordagem experimental para mensurar metodologias que possam favorecer o neurodesenvolvimento saudável e reduzir os impactos da vulnerabilidade social. Tratam-se de estudos duplo cego realizados no contexto escolar, domiciliar e laboratorial com aleatorização das unidades de ensino ou indivíduos. Os resultados estão sendo mensurados através de testes e tarefas psicológicas, além de escalas padronizadas e validadas nos seus respectivos países.

  • 6) Quais são as expectativas após a finalização do projeto?


A expectativa é de que o projeto possa favorecer diálogos entre universidade e sociedade no sentido de subsidiar a formulação de políticas públicas para a primeira infância. A previsão é de dar continuidade através de novos projetos de pesquisa e a ampliação para outro países da América Latina, a exemplo do Uruguai.

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